NASA intensifica projeto para levar reator nuclear à Lua até 2029
A NASA anunciou um plano acelerado para enviar um reator nuclear à Lua até 2029, como parte de sua estratégia para manter a liderança dos Estados Unidos na exploração espacial. A diretriz, assinada por Sean Duffy, atual administrador interino da agência, destaca que o avanço dessa tecnologia é fundamental para sustentar uma futura presença humana na Lua, fornecer energia em missões a Marte e reforçar os interesses estratégicos americanos no espaço. A corrida tecnológica com China e Rússia é apontada como motivação direta para a medida.
Conforme o documento, a NASA deverá designar um gestor para o projeto nos próximos 30 dias e abrir, em até dois meses, uma chamada pública para que empresas do setor apresentem propostas de desenvolvimento. O reator deverá ser capaz de gerar pelo menos 100 quilowatts de energia elétrica, o bastante para alimentar dezenas de casas, e estar pronto para ser enviado à superfície lunar no final da década.
O projeto surge como resposta a um dos maiores obstáculos enfrentados por missões prolongadas na Lua, a noite lunar. Um ciclo completo dura cerca de 28 dias terrestres, sendo duas semanas de sol contínuo e duas semanas de completa escuridão. Nessas condições, painéis solares e baterias se mostram insuficientes, sobretudo nas regiões polares, onde a iluminação é escassa ou inexistente. Um reator nuclear seria, portanto, uma fonte de energia confiável e contínua.
Embora a NASA já tenha investido anteriormente em conceitos de reatores lunares, os projetos anteriores, como os financiados em 2022, eram de menor porte, com capacidade de 40 quilowatts e menos de seis toneladas. A nova diretriz amplia significativamente a ambição do programa, exigindo maior potência e um cronograma mais apertado. A mudança reflete uma reorientação estratégica dentro da agência, com foco em infraestrutura energética permanente fora da Terra.
Ainda há incertezas sobre o papel exato do reator nas próximas missões. A primeira viagem tripulada à Lua sob o programa Artemis está prevista para 2027, mas especialistas consideram esse prazo apertado, principalmente devido à dependência de tecnologias ainda não testadas, como o módulo lunar da SpaceX. Paralelamente, o governo dos Estados Unidos tem demonstrado interesse em substituir os sistemas tradicionais da NASA por alternativas comerciais mais eficientes e econômicas.
