Desextinção do moa gigante: projeto genético une cientistas e Māori para reviver ave extinta da Nova Zelândia
O moa gigante, considerado a maior ave que já existiu, podia atingir até 3,6 metros de altura e pesar cerca de 230 kg. Esse herbívoro pacífico habitava as bordas das florestas da Ilha Sul da Nova Zelândia até ser caçado até a extinção após a chegada dos primeiros povos polinésios, no final do século XIII. Em pouco mais de um século, o moa desapareceu completamente, deixando um vazio ecológico significativo.
Hoje, descendentes dos povos Māori que colonizaram a região lideram uma ambiciosa iniciativa para reviver o moa e suas oito outras espécies menores. Essa empreitada acontece em parceria com a Colossal Biosciences, empresa americana de engenharia genética conhecida por seu trabalho na desextinção do lobo-terrível, e com o cineasta neozelandês Peter Jackson, que investe no projeto.
A pesquisa é conduzida pelo Ngāi Tahu Research Centre, ligado à Universidade de Canterbury, que representa o povo Māori Ngāi Tahu. O centro está responsável por sequenciar o genoma das diversas espécies de moa, utilizando amostras de ossos e até tecidos moles preservados, visando reconstruir o DNA original dessas aves extintas.
A técnica utilizada para “ressuscitar” o moa consiste em editar o genoma de aves parentes vivas, como os tinamus das Américas e o emu australiano, para que seu DNA se aproxime ao máximo do genoma das espécies extintas. Essa mesma estratégia foi aplicada com sucesso na tentativa de recriar o lobo-terrível, cuja prole já está sendo criada em reservas ecológicas.
Além do valor científico, o projeto tem grande significado cultural para os Māori, que veem na reintrodução do moa uma oportunidade de restaurar a conexão ancestral com a fauna que habitava suas terras antes da chegada dos colonizadores europeus. O moa é também um ícone nacional, presente em símbolos e histórias neozelandesas ao longo dos séculos.
Especialistas reforçam que, caso a desextinção seja bem-sucedida, os moas não serão soltos na natureza selvagem, mas mantidos em áreas protegidas para garantir sua sobrevivência em um ambiente controlado, longe dos perigos da civilização moderna. Essa precaução já é aplicada aos lobos-terríveis, criados em áreas isoladas na América do Norte.
O projeto do moa exemplifica o potencial da biotecnologia aliada ao respeito às culturas locais para promover a conservação e a restauração ambiental. Ao combinar ciência avançada e participação indígena, a iniciativa busca não só trazer de volta uma espécie extinta, mas também recuperar ecossistemas e fortalecer laços culturais e espirituais.
